A depressão é a principal causa de incapacidade humana e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis. Afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo e na Europa, 25% da população sofre ou irá sofrer de depressão em qualquer altura da vida. Assim é necessário que esta doença, muitas vezes silenciosa, seja colocada na ordem do dia, através do envolvimento geral da sociedade no sentido de, acima de tudo, combater o estigma que ainda a rodeia e deixar as pessoas falarem livremente sobre ela. Também a idade do primeiro episódio depressivo tem vindo a diminuir de forma sistemática, com pessoas a manifestarem cada vez mais cedo sintomas desta doença.

De fato, e segundo a Organização Mundial de Saúde, a depressão é a principal doença e motivo de inaptidão entre os adolescentes e alguns estudos revelam que todas as pessoas que sofrem de problemas com ela relacionados apresentaram os primeiros sintomas a partir dos 14 anos. Um estudo internacional feito por pesquisadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra em parceria com outras instituições, sobre os números da depressão na adolescência, veio exatamente confirmar esta tendência ao concluir que 8% dos adolescentes com 14 e 15 anos, sofrem de depressão e que 19% se encontram em risco de desenvolver a doença.

Esta equipe concluiu ainda, que a tendência para a depressão nos adolescentes é superior nas mulheres desta faixa etária. Realizado por uma equipe conjunta da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (UC), da Universidade de Emory, nos EUA, do Instituto Maxplanck, na Alemanha e da Universidade da Islândia, a pesquisa tinha por objetivo traçar o perfil de risco psicológico e genético para a depressão na adolescência e aferir a eficácia de um programa preventivo da depressão neste grupo etário.

O estudo foi desenvolvido através do acompanhamento desde 2011, de cerca de 3300 adolescentes com idades em torno de 14 anos. Numa amostra de 290 adolescentes em risco foi estudada a eficácia do programa de prevenção já anteriormente utilizado na Islândia, bem como de um programa inovador criado na UC que se traduz numa espécie de formação destinada aos encarregados de educação dos jovens em risco. Relativos aos resultados foram apontados alguns fatores que tornam os adolescentes mais vulneráveis à depressão demonstrados por manifestações de tristeza, timidez, medo e agressão, bem como um maior número de experiências negativas na escola, com os amigos e família, experiências de abuso e negligência e fraco desempenho escolar. Em termos quantitativos, os jovens em risco que participaram no programa preventivo apresentaram uma diminuição considerável nos níveis de sintomas depressivos, mantendo depois a mudança. O mesmo não se verificou no grupo que não foi tratado.

Esta experiência mostrou ainda que nos grupos que contaram com a participação dos pais, os valores de sintomatologia depressiva dos filhos baixaram significativamente e são estes mesmos jovens que revelam os valores médios mais baixos dessa sintomatologia depois de serem monitorizados por um período de seis meses, comparativamente com os adolescentes cujos pais não foram intervenientes no programa, afirmou Ana Paula Matos, responsável pelo projeto.

Para esta pesquisadora e membro do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental da UC, a depressão é hoje uma das doenças mais predominantes nas crianças e adolescentes, afetando o seu funcionamento emocional, escolar e relacional pelo que estes resultados terão um impacto significativo, tanto no conhecimento sobre a doença, como na forma de a prevenir e tratar. Ana Paula Matos acrescentou ainda que, apesar de a pesquisa ainda não ter terminado, seria muito importante incluir nos currículos escolares dos alunos este programa de prevenção, pelo menos sob a forma de projetos-piloto.

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