Recentemente a atriz Cleo Pires revelou em entrevista que há alguns anos foi diagnosticada com um transtorno psicológico complexo que pode incentivar comportamentos arriscados e colocar o portador em perigo. Conversamos com o psiquiatra Rodrigo Menezes para entender exatamente do que se trata.

Transtorno que Cleo Pires tem

Em entrevista à jornalista Patrícia Kogut, do jornal carioca O Globo, Cleo disse ter sido diagnosticada com hiperatividade e vício em adrenalina há alguns anos.

Ela contou que é bastante inquieta e tem tendência a desenvolver vícios, mas, com a maturidade, aprendeu a lidar com essa característica de uma maneira melhor: “O importante é a superação e a compreensão dos vícios. Já tive a fase de esportes radicais, de dar ‘cavalo de pau’ no jet ski, bungee jumping, etc. Mas entendi que isso não alimentava a minha alma. Era divertido, me dava uma satisfação imediata, mas logo passava e eu ficava querendo cada vez mais”.

O que é hiperatividade?

De acordo com a nomenclatura médica, a hiperatividade é incluída dentro da sigla TDAH, que significa “Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade”. O psiquiatra Rodrigo Menezes Machado, do Hospital Santa Mônica, em São Paulo, explica que esse acometimento tem três vertentes: pode ser apenas um problema de atenção, só um quadro de hiperatividade e impulsividade ou um misto de tudo isso, que é o mais comum.

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De maneira geral, trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento que começa a ser formado ainda dentro do útero e é desencadeado durante a infância. No entanto, nem todas as crianças que trazem essas informações do tempo em que era embriões e fetos desenvolverão o transtorno, pois isso depende também de fatores ambientais, que explicamos a seguir.

Causas

Não existe uma causa específica para o TDAH, mas existem vários fatores genéticos e ambientais que podem influenciar seu aparecimento. “Ter um parente de primeiro grau com o transtorno, por exemplo, aumenta muito as chances de ter”, explica o psiquiatra. “Já entre os fatores ambientais, o parto prematuro ou o baixo peso do bebê no nascimento multiplica de duas a três vezes a possibilidade de TDAH”. O tabagismo durante a gestação também pode influenciar, mas de maneira menos significativa.

Além de todos esses fatores – que são, em grande parte, inevitáveis -, o meio em que a criança crescerá e os fatores que influenciarão seu desenvolvimento constituem um fator importante que propiciará ou não o estopim para o transtorno.

Diagnóstico de TDAH no adulto

O diagnóstico de TDAH em adultos não quer dizer que esses indivíduos apenas desenvolveram o transtorno nesse momento de suas vidas, mas sim que eles o trazem desde a infância e nunca foram adequadamente diagnosticados. A identificação precoce do transtorno, ainda na infância, ajuda o portador a lidar melhor com os sintomas e a reduzir os impactos no seu desenvolvimento.

Além disso, nem todas as crianças com TDAH serão adultos com TDAH. “O transtorno acomete cerca de 5% das crianças e apenas 2,5% dos adultos. Isso significa que durante o processo de desenvolvimento eles vão desenvolvendo habilidades que diminuem os deficit do TDAH”, explica o psiquiatra Rodrigo Menezes.

Ele conta que aproximadamente 15% das crianças com o transtorno vão manter esses sintomas de uma forma intensa quando crescerem e de 40% a 50% vão continuar com alguns aspectos, mas de maneira mais branda, sem o diagnóstico do transtorno.

Sintomas de hiperatividade e deficit de atenção

Crianças

Normalmente as crianças em fase de alfabetização mostram os primeiros sintomas de TDAH. “São crianças mais inquietas, que apresentam um excesso de atividade motora, são facilmente distraíveis, não conseguem focar em uma atividade, têm dificuldades de aprendizado, muitas vezes não escutam o que lhes falam e não conseguem parar para comer, por exemplo”, explica o psiquiatra.

Adultos

Deficit de atenção

Na fase adulta, essa inquietude pode se manifestar com dificuldades grandes de organização pessoal e no trabalho e planejamento atrapalhado do tempo, fazendo com que os atrasos se tornem constantes na rotina. Além disso, parar para realizar algumas tarefas que exijam concentração, como a leitura de um livro, se torna mais complicado. Essas pessoas costumam buscar empregos mais dinâmicos, em que não tenham que ficar parados na maior parte do tempo.

Hiperatividade e impulsividade

Na esfera da hiperatividade e impulsividade, os adultos com TDAH tendem a tomar atitudes precipitadas com altas chances de dano. “Há um gosto pela recompensa imediata e uma dificuldade em esperar gratificação”, explica o psiquiatra. Isso se traduz em situações graves como envolvimento em brigas de trânsito e na direção intempestiva de carros e motos, por exemplo, mas também em coisas simples, como interromper e tentar completar a fala do interlocutor antes que ele termine de dizer o que queria.

É comum também a busca de sensações prazerosas, que pode se manifestar no consumo abusivo de álcool e drogas, no consumismo excessivo e em situações arriscadas. No caso de Cleo Pires, ela descreve esses sentimentos como um “vício em adrenalina”.

Consequências do TDAH

O TDAH na vida adulta aumenta as chances de o portador ter outros dois quadros psicológicos, ambos muito comuns atualmente, principalmente nas grandes cidades: de 10% a 20% das pessoas desenvolvem depressão e 30% têm um transtorno de ansiedade.

Tratamento

Rodrigo Menezes conta que o tratamento do TDAH tem duas frentes principais: a primeira é a terapia cognitivo-comportamental, que é um tipo de terapia psicológica, feita com psicólogo ou psiquiatra, e a segunda é o uso de medicamentos psicoestimulantes, com supervisão do psiquiatra, que diminuem a hiperatividade e aumentam atenção.

No caso das crianças, pode ser vantajoso estender o tratamento à terapia ocupacional, que de maneira lúdica pode ajudar a lidar melhor com a questão da agitação motora, e à psicopedagogia.

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