O Distúrbio Dissociativo é um transtorno mental que envolvem o ato de experimentar uma desconexão e a falta de continuidade entre pensamentos, memórias, ambientes, ações e identidade. As pessoas com transtornos dissociativos fogem da realidade de maneira involuntária, causando problemas no funcionamento da vida cotidiana.

Transtornos dissociativos geralmente se desenvolvem como uma reação a um trauma, fazendo com que a memória fique confusa. Os sintomas – podem variar de amnésia a identidades alternativas – depende em parte do tipo de transtorno dissociativo que a pessoa possa ter. Em tempos de intenso estresse, os sintomas podem piorar temporariamente, tornando mais evidentes.

O tratamento para o distúrbio dissociativo pode incluir psicoterapia e medicação. Embora o tratamento de distúrbio dissociativo possa ser difícil de lidar, muitas pessoas que sofrem da doença, aprendem maneiras de lidar com a situação e levar uma vida saudável e produtiva.

“Atualmente, os transtornos dissociativos são entendidos como formas muito graves de resposta à algum evento traumático importante que, geralmente, aconteceu na infância. Dentre as pessoas mais acometidas estão as mulheres, representando cerca de 92% dos casos. O tratamento psiquiátrico e psicológico é fundamental nesses casos”, esclarece Dra. Juliana Cavalsan, psiquiatra do Hospital Santa Mônica e do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria da USP.

Sintomas e causas

Sinais e sintomas dependem do tipo de Distúrbio Dissociativo que a pessoa tenha, mas pode incluir:

  • Perda de memória (amnésia) por determinado período de tempo, evento, pessoas e informações pessoais;
  • Uma sensação de estar separado de si mesmo e das suas emoções;
  • Uma percepção distorcida e irreal das pessoas e coisas ao seu redor;
  • Estresse significativo ou problema nos relacionamentos,
  • trabalho ou outras áreas importantes de sua vida;
  • Incapacidade de lidar bem com o estresse emocional ou profissional;
  • Problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e pensamentos e comportamentos suicidas.

Existem três grandes distúrbios dissociativos definidos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria:

Amnésia dissociativa

O principal sintoma é perda de memória que é mais grave do que o esquecimento normal e que não pode ser explicado por uma condição médica. A pessoa pode não se lembrar de informações sobre si mesmo, eventos ou pessoas do seu convívio, especialmente aquelas de um tempo traumático. Amnésia dissociativa pode ser específica para eventos em um determinado momento, pode envolver perda completa de memória sobre si mesmo. Um episódio de amnésia geralmente ocorre de repente e pode durar minutos, horas ou raramente, meses ou anos.

Transtorno dissociativo de identidade

Anteriormente conhecido como transtorno de personalidade múltipla, esse distúrbio é caracterizado por “mudança” para identidades alternativas. A pessoa pode sentir a presença de duas ou mais pessoas falando ou vivendo dentro de sua cabeça, e pode sentir como se estivesse possuído por outras identidades. Cada identidade pode ter um nome, história pessoal e características, incluindo diferenças óbvias em voz, gênero, maneira de ser e até mesmo qualidades físicas como a necessidade de óculos. Há também diferenças na forma como cada identidade é familiar com os outros. As pessoas com transtorno de identidade dissociativa tipicamente também têm amnésia dissociativa e muitas vezes têm fuga dissociativa.

Despersonalização-desrealização

Isso envolve uma sensação contínua ou episódica de desapego ou de estar fora de si – observando suas ações, sentimentos, pensamentos e se manter alheio, como se estivesse assistindo a um filme (despersonalização). Outras pessoas e coisas ao seu redor podem se sentir desapegadas e alienadas ou sonhadoras, o tempo pode ser retardado ou acelerado, e o mundo pode parecer irreal (desrealização). Pode experimentar despersonalização, desrealização ou ambos. Sintomas, que podem ser profundamente angustiantes e, podem durar apenas alguns momentos ou vir e ir ao longo de muitos anos.

Pensamentos suicidas ou comportamento

Ao ter pensamentos de ferir a si mesmo ou a outra pessoa, deveria procurar imediatamente a ajuda de algum amigo(a) mais próximo, parente, pais, ou alguém em quem confie. Ou ligue para 190, ou ainda se dirigir para um pronto socorro mais próximo da sua residência.

Causas

Os distúrbios dissociativos geralmente se desenvolvem como forma de lidar com o trauma. Os distúrbios mais frequentemente se formam em crianças submetidas a abuso físico, sexual ou emocional de longo prazo ou, menos frequentemente, a um ambiente familiar que é assustador ou altamente imprevisível. O estresse da guerra ou desastres naturais também podem trazer distúrbios dissociativos.

A identidade pessoal ainda está se formando durante a infância. Assim, uma criança é mais suscetível a sair de si mesmo do que um adulto e observar o trauma como se estivesse acontecendo com uma outra pessoa. Uma criança que aprende a se dissociar a fim de suportar um período prolongado, pode usar este mecanismo de enfrentamento em resposta a situações estressantes ao longo da vida.

Fatores de risco

As pessoas que sofrem de abuso físico, sexual ou emocional de longo prazo durante a infância correm maior risco de desenvolver distúrbios dissociativos.

Crianças e adultos que vivenciem outros eventos traumáticos, como guerras, catástrofes naturais, sequestro, tortura ou procedimentos médicos prolongados, traumáticos e precoces, também podem desenvolver essas condições.

Complicações

As pessoas com distúrbios dissociativos possuem um risco maior a desenvolver:

  • Autoagressão ou mutilação;
  • Pensamentos e comportamento suicidas;
  • Disfunção sexual;
  • Alcoolismo e transtornos do uso de drogas;
  • Depressão e transtorno de ansiedade;
  • Transtorno de estresse pós-traumático;
  • Transtornos da personalidade;
  • Distúrbios do sono, incluindo pesadelos, insônia e sonambulismo;
  • Distúrbios alimentares;
  • Sintomas físicos como vertigens ou convulsões não epilépticas;
  • Dificuldades nas relações pessoais e no trabalho.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente envolve a avaliação dos sintomas e descartar qualquer condição clínica que possa estar causando os sintomas. Passar por uma avaliação com psiquiatra é fundamental para o fechamento do diagnóstico.

A avaliação pode incluir:

Exame físico

O médico deverá examiná-lo(a), fazer perguntas detalhadas e analisar seus sintomas e história pessoal. Certos testes podem eliminar condições físicas – por exemplo, lesões na cabeça, certas doenças cerebrais, privação do sono ou intoxicação – que podem causar sintomas como perda de memória e sensação de irrealidade.

Exame psiquiátrico

O psiquiatra poderá fazer perguntas sobre seus pensamentos, sentimentos e comportamento e discutir seus sintomas. Com a sua permissão, poderá falar com membros da família ou de outras pessoas mais próximas para ajudar a entender o que vem acontecendo no seu dia-a-dia.

Para o diagnóstico de transtornos dissociativos, o DSM-5 lista esses critérios

Amnésia dissociativa

Você teve um ou mais episódios nos quais você não consegue se lembrar de informações pessoais importantes – geralmente algo traumático ou estressante – ou não se lembra de sua identidade ou história de vida.

Seus episódios de perda de memória não ocorrem apenas durante o curso de outro transtorno de saúde mental, como transtorno de estresse pós-traumático. Além disso, seus sintomas não são devidos ao álcool ou a outras drogas e não são causados por uma condição neurológica ou outra condição médica, como a amnésia relacionada ao traumatismo craniano.

Por conta do Distúrbio Dissociativo você também pode experimentar fuga dissociativa, onde você viaja propositadamente se vê vagando confusa – incapacidade de lembrar sua identidade ou outras informações pessoais importantes.

Seus sintomas causam estresse significativo ou problemas em seus relacionamentos, trabalho ou outras áreas importantes de sua vida.

Distúrbio Dissociativo de identidade

Você exibe, ou outros observam, duas ou mais identidades ou personalidades distintas, que podem ser descritas em algumas culturas como possessão que é indesejada e involuntária. Cada identidade tem seu próprio padrão de perceber, relacionar e pensar sobre si mesmo e sobre o mundo.

Você tem falhas recorrentes na memória para eventos cotidianos, habilidades, informações pessoais importantes e eventos traumáticos que são muito extensos para serem explicados pelo esquecimento ordinário.
Seus sintomas não fazem parte da prática cultural ou religiosa amplamente aceita.

Seus sintomas não são devidos ao álcool ou outras drogas, ou uma condição médica. Nas crianças, os sintomas não são devidos a companheiros imaginários ou a outros jogos de fantasia.

Seus sintomas causam estresse significativo ou problemas em seus relacionamentos, trabalho ou outras áreas importantes de sua vida.

Despersonalização-desrealização

Você tem experiências persistentes ou recorrentes de sentir-se separado de si mesmo, como se você fosse um observador externo de seus pensamentos, sensações, ações ou seu corpo (despersonalização). Ou você se sente desapegado ou experimenta uma falta de realidade para o seu entorno, como se estivesse em um sonho ou o mundo está distorcido (desrealização).

Enquanto você está experimentando um episódio de despersonalização ou desrealização, você está ciente de que a experiência não é realidade.

Seus sintomas não ocorrem apenas durante o curso de outro transtorno mental, como esquizofrenia ou transtorno de pânico, ou durante outro transtorno dissociativo. Seus sintomas também não são explicados pelos efeitos diretos do álcool ou outras drogas, ou uma condição médica, como a epilepsia do lobo temporal.

Seus sintomas causam estresse significativo ou problemas em seus relacionamentos, trabalho ou outras áreas importantes de sua vida.

Tratamento para o Distúrbio Dissociativo

O tratamento pode variar com base no tipo de transtorno, mas geralmente inclue psicoterapia e medicação.

Psicoterapia

A psicoterapia é o tratamento primário para distúrbios dissociativos. Esta forma de terapia, envolve falar sobre o seu transtorno e questões relacionadas com um psicólogo. Procure um terapeuta com treinamento avançado ou experiência em trabalhar com pessoas que sofreram algum trauma.

Medicação

Embora não existam medicamentos que tratem especificamente distúrbios dissociativos, seu médico pode prescrever antidepressivos, medicamentos para ansiedade ou drogas antipsicóticas para ajudar a controlar os sintomas de saúde mental associados com distúrbios dissociativos.

Fonte: Dra. Juliana Cavalsan, psiquiatra do Hospital Santa Mônica e do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria da USP e Mayo Clinic, USA.

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