O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, informa que, em mulheres com câncer de mama, a prevalência de transtorno depressivo pode chegar a 25 por cento, acometendo principalmente mulheres mais jovens e aquelas submetidas à quimioterapia. Nesta entrevista à jornalista Cinthya Leite, ele reforça que os casos de depressão precisam ser tratados, independentemente se a paciente está em quimioterapia, radioterapia ou no pós-operatório.

A depressão é frequente nas pacientes com câncer de mama? Há algum estudo que mostra prevalência?
O câncer, por si, só já é um fator estressor que pode desencadear algum transtorno psiquiátrico, principalmente a depressão. A prevalência estimada de transtorno depressivo, em todas as mulheres, é de 3,5 a 7 por cento; em mulheres com câncer de mama, essa estimativa pode chegar a 25 por cento, acometendo principalmente mulheres mais jovens e aquelas submetidas à quimioterapia. Essas informações estão disponíveis no artigo Drug interactions and pharmacogenomics in the treatment of breast cancer and depression, publicado em 2008 no The American Journal of Psychiatry. No primeiro volume da Revista Debates em Psiquiatria, ano 2016, o artigo Depressão e Câncer de Mama avalia a relação entre esse transtorno de humor e o diagnóstico oncológico. O objetivo do atendimento psiquiátrico da paciente com câncer de mama está diretamente relacionado ao enfrentamento da doença e à monitorização da qualidade de vida.

Uma paciente com câncer de mama, com um quadro depressivo, precisa ser tratado, a fim de diminuir o sofrimento, melhorar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento. Uma paciente com câncer de mama, com um quadro depressivo, precisa ser tratado, a fim de diminuir o sofrimento, melhorar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento

Que sinais e sintomas podem sugerir depressão nessas pacientes?
A associação entre câncer e quadros depressivos é muito frequente e está relacionada a uma pior evolução clínica e à má qualidade de vida dos pacientes. A identificação da depressão em pacientes com câncer ainda é um desafio porque vários sintomas (da depressão) se confundem com os da própria doença (câncer), o que torna o diagnóstico impreciso. Outro fator que torna o diagnóstico difícil são as alterações do humor do paciente, que passa por um momento de dor e intensa fadiga, principalmente por se submeter ao tratamento para o câncer. De qualquer forma, o paciente oncológico deve ser acompanhado por uma equipe de saúde mental, a fim de aumentar a adesão ao tratamento.

A depressão é diagnosticada precocemente nas mulheres em tratamento para o câncer de mama? Ou o diagnóstico é tardio?
Quando o paciente recebe esse diagnóstico oncológico, as reações podem variar de acordo com a sensibilidade de cada um, de fatores internos, de estrutura psíquica e de fatores externos (se esse paciente tem uma família, se tem um suporte, como está sua situação social), não são só fatores biológicos, que influenciam com o próprio diagnóstico oncológico. Alguns pacientes estão mais propensos a terem sintomas depressivos, um transtorno depressivo ou, às vezes, apenas um transtorno de adaptação por essa nova realidade que ele vai acabar vivendo.

Como a depressão, nas pacientes com câncer de mama, pode alterar o prognóstico? É possível a depressão alterar as defesas do organismo?

Cerca de 71 por cento dos oncologistas e 81 por cento dos pacientes acreditam que os aspectos psicológicos alteram a progressão do câncer. Existe até um modelo biológico que procura explicar a relação entre a depressão e a mortalidade do câncer. Já é estabelecido que a depressão altera vários sistemas fisiológicos do nosso organismo, o que pode piorar o quadro oncológico do paciente.

Como a depressão, nesses casos, é tratada? Podem ser indicados tratamentos medicamentosos e terapias associados à terapêutica contra o tumor?
Os casos de depressão, independentemente de estarem associado ao câncer ou não, devem ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar: psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e assistente social, entre outros profissionais. O paciente que tem um diagnóstico psiquiátrico precisa ser tratado, independentemente se ele está em quimioterapia, radioterapia ou no pós-operatório. Obviamente, devemos levar tudo em consideração: as interações medicamentosas e a medicação que pode potencializar outra ou inibir o funcionamento de outra. Um paciente oncológico, por exemplo, com câncer de mama, com um quadro depressivo e em quimioterapia, precisa ser tratado, visando diminuir o seu sofrimento, melhorando a qualidade de vida, a adesão ao tratamento e proporcionando um melhor prognóstico. O tratamento farmacológico propicia a melhora do quadro depressivo nos pacientes com câncer, sendo necessário alguns cuidados por causa da alta probabilidade de interação medicamentosa e da ocorrência de efeitos colaterais.

Fonte: Casa Saudável

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