Transtorno por Uso de Substâncias

Entenda o que é dependência química, conheça os tratamentos, o processo de desintoxicação, reabilitação e prevenção a recaídas. Saiba quando a internação psiquiátrica é necessária para resgatar o paciente.

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Visão geral

A dependência de qualquer substância psicoativa, ou seja, que altere os comportamentos, é chamado de transtorno por uso de Substâncias. Ela pode se referir a álcool, cocaína, crack, maconha e até mesmo medicamentos como calmantes. O transtorno é considerada como um transtorno mental resultante necessidade constante e uso abusivo de drogas.

Pessoas que convivem com esse transtorno precisam de ajuda para reconhecer o problema e se tratar. Muitas vezes a família e/ou os amigos são os primeiros os sinais do abuso de substâncias como álcool e drogas.

Algumas vezes, os dependentes químicos são vistos pela sociedade como pessoas que não possuem força de vontade, fracas e que deveriam simplesmente abandonar o vício. No entanto, é preciso entender que a dependência química faz com que o usuário de substâncias perca o controle do uso e, como consequência, perca também aos poucos, o controle emocional, físico e psíquico. Por isso, ao chegar nessa situação, é preciso buscar ajuda.

Se você ou alguém próximo estiver estiver passando por essa situação, não se desespere. A dependência química é considerada uma doença crônica e neste sentido existem tratamentos e terapias que ajudam na reabilitação e prevenção de crises.

Principais dependências e substâncias químicas

Sintomas do Transtorno por Uso de Substâncias

O Transtorno por Uso de Substâncias é um distúrbio mental com potenciais consequências físicas e psicológicas significativas. Essa condição é marcada pelo uso persistente e abusivo de substâncias psicoativas (drogas e álcool) que afetam principalmente o sistema nervoso central

Além de diversos efeitos adversos, a dependência química desencadeia uma série de alterações cognitivas, fisiológicas e comportamentais que surgem após a exposição repetida a determinada substância. Identificar os indícios de dependência química é crucial para prevenir e tratar esse problema com eficácia.

Se você suspeita que alguém próximo esteja enfrentando dependência química, continue a leitura e aprenda a reconhecer os principais sintomas desse transtorno. Ao fazer isso, estará mais preparado para intervir e oferecer apoio adequado.

Tolerância

A necessidade de consumir doses cada vez maiores da substância para obter os mesmos efeitos desejados.

Sintomas de abstinência

Quando a pessoa para de consumir a substância ou reduz a quantidade, podem surgir sintomas físicos como tremores, sudorese, náuseas, vômitos, ansiedade, irritabilidade, dores musculares, insônia, entre outros.

Problemas de saúde física

Dependendo da substância, podem ocorrer uma variedade de problemas de saúde física, incluindo danos aos órgãos, problemas respiratórios, danos cerebrais, distúrbios cardíacos, entre outros.

Alterações na aparência

O abuso crônico de substâncias pode levar a mudanças na aparência física, como perda ou ganho de peso, olhos vermelhos ou vidrados, pele pálida ou amarelada, entre outros.

Desejo compulsivo

Sentimentos intensos de desejo pela substância, levando a pensamentos constantes sobre como obtê-la.

Perda de controle

Incapacidade de controlar ou interromper o uso da substância, mesmo quando se deseja fazê-lo.

Negligência de responsabilidades

Priorização do uso da substância sobre obrigações pessoais, profissionais ou sociais.

Mudanças de humor

Oscilações frequentes de humor, irritabilidade, ansiedade, depressão e sentimentos de desesperança.

Negativa em aceitar o problema

Muitas pessoas com dependência química negam ou minimizam o problema, mesmo quando confrontadas com as consequências negativas de seu consumo.

Isolamento social

Retraimento social, afastamento de amigos e familiares e preferência por passar tempo sozinho para consumir a substância.

Desenvolvimento de rituais

Estabelecimento de rotinas específicas em torno do consumo da substância, como horários fixos de uso ou locais específicos para consumo.

Problemas financeiros

Gastos excessivos com a substância, comprometendo a estabilidade financeira e acumulando dívidas.

Comportamento arriscado

Engajamento em comportamentos perigosos ou ilegais para obter a substância, como dirigir sob influência, furtos, prostituição, entre outros.

Relações interpessoais prejudicadas

Problemas nos relacionamentos pessoais, familiares e profissionais devido ao comportamento relacionado ao uso da substância.

Diagnóstico da dependência química

O diagnóstico da dependência química geralmente é feito por profissionais de saúde mental, como psiquiatras, psicólogos ou médicos clínicos, por meio de uma avaliação cuidadosa que considera diversos aspectos. Aqui estão algumas das etapas e métodos comuns no diagnóstico:

São utilizados questionários padronizados e testes psicológicos para avaliar a gravidade da dependência, como o teste AUDIT (para álcool), DAST (para drogas) e outros instrumentos específicos.

O diagnóstico é baseado nos critérios estabelecidos em manuais diagnósticos, como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) ou a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), que incluem sintomas comportamentais, físicos e psicológicos associados à dependência química.

Podem ser realizados exames físicos e laboratoriais para avaliar o estado de saúde geral do paciente, identificar possíveis complicações físicas relacionadas ao uso de substâncias e descartar outras condições médicas que possam estar contribuindo para os sintomas.

O profissional avalia como o uso de substâncias está afetando as diversas áreas da vida do paciente, como relacionamentos, trabalho, finanças e saúde mental.

É importante avaliar a disposição do paciente para buscar ajuda e fazer mudanças em seu comportamento relacionado ao uso de substâncias.

Com base nessas informações e avaliações, o profissional de saúde pode fazer o diagnóstico da dependência química e recomendar um plano de tratamento adequado, que pode incluir terapia individual ou em grupo, medicamentos, suporte familiar, entre outras intervenções.

Tratamento para dependência química

Uma variedade de programas de tratamento (ou recuperação) para o abuso de substâncias estão disponíveis em regime de internação ou ambulatório. Os programas considerados são geralmente baseados no tipo de substância abusada. 

O tratamento da dependência química com um médico psiquiatra geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar para ajudar o paciente a superar sua dependência e promover sua recuperação. O psiquiatra avalia o paciente, realiza uma avaliação detalhada de sua condição mental e física, e desenvolve um plano de tratamento personalizado. Isso pode incluir:

Avaliação e diagnóstico

O psiquiatra avalia o histórico médico e psiquiátrico do paciente, assim como o padrão de uso de substâncias. Ele também pode realizar testes para identificar condições médicas ou psiquiátricas subjacentes que possam contribuir para a dependência química.

Gestão da desintoxicação

Em casos de dependência física, o psiquiatra pode prescrever medicamentos para ajudar o paciente a passar pelo processo de desintoxicação de forma segura e confortável, minimizando os sintomas de abstinência.

Aconselhamento e psicoterapia

O psiquiatra pode fornecer aconselhamento e psicoterapia para ajudar o paciente a entender os fatores que contribuem para sua dependência, desenvolver habilidades de enfrentamento saudáveis e lidar com questões emocionais subjacentes.

Monitoramento e ajuste do tratamento

O psiquiatra monitora de perto o progresso do paciente durante o tratamento, ajustando a abordagem conforme necessário para garantir que o paciente receba o suporte adequado durante todo o processo de recuperação.

Em muitos casos a internação psiquiátrica, voluntária ou involuntária, é necessária para resgatar e desintoxicar o indivíduo e assim ajudá-lo a alcançar a sua harmonia e restaurar sua autoestima rumo a uma vida autônoma e livre de vícios. Há situações que a perturbação mental coloca a pessoa com dependência química de tal forma alterada, que passa a representar uma ameaça a si própria ou para outras pessoas.

Durante a internação, o paciente recebe cuidados médicos e psiquiátricos intensivos em um ambiente seguro e estruturado. Isso pode incluir desintoxicação sob supervisão médica, terapia individual e em grupo, educação sobre dependência química e desenvolvimento de habilidades de enfrentamento. A internação psiquiátrica oferece um ambiente protegido onde o paciente pode se concentrar na sua recuperação sem as distrações e tentações do ambiente externo.

Terapia cognitivo-comportamental – TCC

Ajuda o paciente a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento prejudiciais associados ao uso de substâncias.

Terapia de grupo

Permite que o paciente compartilhe experiências e receba apoio de outras pessoas que estão passando por desafios semelhantes.

Terapia familiar

Envolve membros da família no processo de tratamento, visando melhorar a comunicação e resolver conflitos familiares que possam contribuir para a dependência química.

Terapia ocupacional

Ajuda o paciente a desenvolver habilidades práticas e a se envolver em atividades construtivas para ocupar seu tempo de forma saudável.

Grupo de apoio

Um fórum para terapia e troca de experiências entre pessoas com uma condição ou objetivo similar, como a depressão, ansiedade ou esquizofrenia.

Psicoeducação

Aprendizado sobre saúde mental que também serve para apoiar, valorizar e dar autonomia aos pacientes, de forma que possam conviver com a depressão.

Medicamentos para redução de desejos

Como naltrexona ou acamprosato, que podem ajudar a reduzir os desejos por álcool ou outras substâncias.

Medicamentos para controle de sintomas

Como benzodiazepínicos para ajudar a controlar a ansiedade durante a desintoxicação ou antidepressivos para tratar a depressão coexistente.

Medicamentos para tratamento de condições psiquiátricas

Como antidepressivos ou estabilizadores de humor para tratar transtornos mentais coexistentes, como depressão ou transtorno bipolar.

Antidepressivos

Reduzem ou melhoram quaisquer sintomas ligados à tristeza profunda.

Ansiolíticos

Reduzem os efeitos da ansiedade e ajudam o paciente a lidar com preocupações excessivas devido ao diagnóstico depressivo.

Antipsicóticos

Ajudam a controlar tremores e a evitar psicoses.

É importante ressaltar que o tratamento da dependência química deve ser individualizado para atender às necessidades específicas de cada paciente e pode exigir uma abordagem integrada que combine diferentes modalidades terapêuticas. O acompanhamento contínuo com um médico psiquiatra ou equipe de tratamento especializada é essencial para garantir uma recuperação bem-sucedida e duradoura.

Internação para dependentes químicos

internação voluntária (com autorização do paciente) ou internação involuntária (contra a vontade do paciente) são meios de resgatar o indivíduo que geralmente não tem mais controle dos seus pensamentos e atitudes, que perdeu sua capacidade de autodeterminação ou a capacidade de se autogerir.

A internação para pacientes com dependência química é um meio de resgate e tratamento, em estágios mais avançados, uma questão de vida ou morte. Dessa forma, em situações em que se constata um considerável risco e perigo às vidas de outras pessoas, é difícil imaginar forma mais eficiente de tratamento, considerando-se que outras vias tais quais remédios e terapias podem exigir um tempo mínimo para que seus efeitos sejam manifestados. Sendo assim, neste período pode ser requerida uma vigilância estreita em um hospital psiquiátrico.

Se o paciente está ciente de sua situação e dos problemas com os quais convive, além de sofrer pelos sintomas da depressão, capazes de impactar vida, autoestima, trabalho e, principalmente, relacionamentos, a internação voluntária a ajuda a estar em contato com uma equipe multidisciplinar apta a zelar por seu tratamento e a reabilitá-lo de modo que possa voltar a conviver bem com si mesmo e com aqueles que ama.

De acordo com a lei (10.216/01), o familiar pode solicitar a internação involuntária, desde que o pedido seja feito por escrito e aceito pelo médico psiquiatra. A lei determina que, nesses casos, os responsáveis técnicos do estabelecimento de saúde têm prazo de 72 horas para informar ao Ministério Público da comarca sobre a internação e seus motivos. O objetivo é evitar a possibilidade de esse tipo de internação ser utilizado para a prática de cárcere privado.

Neste caso não é necessária a autorização familiar. O artigo 9º da lei 10.216/01 estabelece a possibilidade da internação compulsória, sendo esta sempre determinada pelo juiz competente, depois de pedido formal, feito por um médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a sua condição psicológica e física.

FAQ – Perguntas mais comuns sobre TUS

Dependência Química é uma doença reconhecida pela medicina, não fraqueza de caráter?

SIM — dependência química é uma doença crônica do cérebro, reconhecida pela medicina.
Sim. A Organização Mundial da Saúde, a Associação Americana de Psiquiatria e todos os grandes organismos de saúde reconhecem a dependência química como uma doença crônica do cérebro que afeta o sistema de recompensa, motivação e controle de impulsos.
Imagens de neuroimagem mostram alterações estruturais e funcionais no cérebro de dependentes — especialmente no córtex pré-frontal (responsável pelo autocontrole) e no núcleo accumbens (sistema de recompensa). Não é falta de vontade.
Assim como diabético não é “fraco” por precisar de insulina, o dependente químico não é “sem caráter” por não conseguir parar sozinho. A estigmatização atrasa a busca por tratamento e aumenta o sofrimento.
No Hospital Santa Mônica tratamos a dependência química com a seriedade que toda doença merece: diagnóstico preciso, tratamento baseado em evidências e acolhimento sem julgamento.

Uso recreativo pode se tornar dependente químico?

SIM — uso recreativo pode evoluir para dependência em parcela significativa dos usuários.
Sim. Nem todo usuário recreativo se tornará dependente, mas cerca de 10 a 15% dos que usam álcool regularmente e percentual ainda maior dos que usam cocaína ou crack desenvolvem dependência.
A progressão depende de fatores como genética (histórico familiar é fator de risco importante), idade de início (quanto mais jovem, maior o risco), frequência de uso, tipo de substância e vulnerabilidades psicológicas como depressão e ansiedade não tratadas.
A dependência não surge do dia para a noite. Ela se desenvolve gradualmente, com o cérebro se adaptando à substância e exigindo doses cada vez maiores para o mesmo efeito (tolerância) — enquanto a vida ao redor vai se deteriorando.
Reconhecer os sinais precocemente faz toda a diferença. O Hospital Santa Mônica oferece avaliação do padrão de uso e orientação preventiva.

Álcool é a substância psicoativa que mais causa dependência no Brasil?

SIM — o álcool é a substância que mais causa dependência e danos no Brasil.
Sim. O Brasil é um dos maiores consumidores de álcool do mundo. Estima-se que cerca de 10% da população adulta brasileira seja dependente do álcool, e o consumo nocivo é muito mais amplo que isso.
O álcool é uma droga lícita, socialmente aceita e amplamente disponível — o que dificulta o reconhecimento do problema. Muitos dependentes de álcool nunca se identificam como tal porque “todo mundo bebe”.
Os danos são enormes: doenças hepáticas, pancreatite, problemas cardiovasculares, neurológicos, acidentes de trânsito, violência doméstica e destruição de famílias. A abstinência de álcool, nos casos graves, pode ser fatal sem supervisão médica.
O Hospital Santa Mônica trata dependência alcoólica com protocolos seguros de desintoxicação e programas completos de recuperação.

Crack causa dependência mais rapidamente que outras drogas?

SIM — o crack está entre as substâncias com maior potencial de dependência rápida.
Sim. O crack é a forma fumada da cocaína e tem características que o tornam altamente aditivo em curto espaço de tempo. A via de administração (inalação) permite que a substância chegue ao cérebro em segundos, gerando um pico de prazer intenso — mas brevíssimo.
Esse pico dura apenas alguns minutos, seguido de uma queda abrupta que gera desejo intenso de usar novamente (fissura). Esse ciclo pode repetir-se dezenas de vezes ao dia, levando à dependência em semanas.
O crack causa deterioração física e mental acelerada: perda de peso, lesões respiratórias, psicose induzida, abandono de responsabilidades, criminalidade para financiar o uso e isolamento total.
O tratamento do crack é complexo e exige equipe multiprofissional experiente. O Hospital Santa Mônica tem protocolos específicos para o cuidado integral do usuário de crack.

Existe dependência de remédios prescritos por médicos, como benzodiazepínicos e opioides?

SIM — remédios prescritos podem causar dependência química real.
Sim, e este é um problema de saúde pública crescente. Benzodiazepínicos (como clonazepam, diazepam, alprazolam) e opioides (como tramadol, codeína, morfina) têm alto potencial de dependência, mesmo quando usados conforme prescrito.
A dependência de benzodiazepínicos pode desenvolver-se em semanas de uso contínuo. O paciente percebe que sem o remédio fica ansioso, irritado, com insônia e sintomas físicos — e aumenta progressivamente a dose por conta própria.
Não há culpa em desenvolver dependência de medicamento prescrito — mas há necessidade de tratamento especializado. A retirada abrupta de benzodiazepínicos pode causar convulsões e é perigosa sem supervisão médica.
O Hospital Santa Mônica trata dependência de medicamentos com protocolos de desmame gradual e seguro, sempre acompanhado por equipe médica.

Maconha pode causar dependência e prejuízo cognitivo?

SIM — maconha pode causar dependência e prejuízo cognitivo, especialmente em jovens.
Apesar da percepção popular de que maconha é “inofensiva”, a ciência mostra que cerca de 9% dos usuários desenvolvem dependência — percentual que sobe para 17% entre quem começa a usar na adolescência e para 50% entre os que usam diariamente.
O THC (princípio ativo da maconha) afeta o sistema endocanabinoide, envolvido no desenvolvimento cerebral, especialmente até os 25 anos. O uso frequente na adolescência está associado a prejuízo de memória, atenção, função executiva e maior risco de psicose em pessoas geneticamente vulneráveis.
A síndrome de abstinência da maconha é real: irritabilidade, insônia, ansiedade, sudorese e perda de apetite nas primeiras semanas sem usar.
Se o uso de maconha está interferindo na sua vida ou de alguém que você conhece, o Hospital Santa Mônica oferece avaliação e suporte sem julgamento.

A abstinência de álcool pode ser fatal se não houver acompanhamento médico?

SIM — abstinência severa de álcool pode causar convulsões e ser fatal.
Sim — e este é um dos aspectos mais ignorados e perigosos do alcoolismo. Em dependentes físicos graves, parar de beber abruptamente sem supervisão médica pode causar convulsões, delirium tremens e morte.
O álcool é um depressor do sistema nervoso central. Com o uso prolongado, o cérebro se adapta e passa a funcionar em estado de hiperexcitabilidade para compensar. Quando o álcool é retirado subitamente, essa hiperexcitabilidade se manifesta como tremores, agitação, alucinações e convulsões.
O delirium tremens — estágio mais grave da abstinência — ocorre em cerca de 5% dos casos e tem mortalidade de até 15% sem tratamento adequado.
A desintoxicação alcoólica em dependentes graves DEVE ser feita em ambiente hospitalar. O Hospital Santa Mônica oferece desintoxicação segura com monitoramento médico contínuo.

A dependência química altera o funcionamento do cérebro de forma duradoura?

SIM — a dependência causa alterações cerebrais duradouras, mas o cérebro pode se recuperar.
Sim. Neuroimagens mostram que o uso crônico de substâncias reduz a atividade do córtex pré-frontal (responsável pelo autocontrole e tomada de decisão) e hipersensibiliza o sistema de recompensa (que passa a responder principalmente à droga).
Essas alterações explicam por que o dependente “sabe” que deveria parar, mas não consegue. Não é falta de vontade — é o cérebro com sua arquitetura modificada pela substância.
A boa notícia: o cérebro adulto tem plasticidade. Com abstinência e tratamento, muitas funções se recuperam ao longo de meses a anos. A recuperação não é linear, mas é real e possível.
Esse é um dos motivos pelos quais o acompanhamento contínuo após o tratamento é tão importante. O Hospital Santa Mônica oferece programas de acompanhamento pós-alta.

Há predisposição genética para o desenvolvimento da dependência química?

SIM — genética contribui com cerca de 40 a 60% do risco de dependência.
Sim. Estudos com gêmeos e famílias mostram que a hereditariedade responde por cerca de 40 a 60% do risco de desenvolver dependência química. Quem tem pai, mãe ou irmão dependente tem risco significativamente maior.
Isso não significa que ser filho de dependente é uma “sentença”. Significa que a pessoa deve ter mais atenção e cuidado com o uso de substâncias — especialmente na adolescência, quando o cérebro ainda está se desenvolvendo.
Genes envolvidos no sistema dopaminérgico, no metabolismo do álcool e na regulação do estresse são os mais estudados. Mas ambiente, trauma e acesso precoce às substâncias também são determinantes.
Conhecer o histórico familiar ajuda na prevenção. Se você tem histórico de dependência na família, converse com um especialista do Hospital Santa Mônica sobre estratégias preventivas.

Substituir drogas ilícitas por álcool é estratégia válida?

NÃO — substituir uma droga por outra não é tratamento.
Não. Esse é um equívoco comum. Substituir uma substância por outra não resolve a dependência — apenas muda o objeto da compulsão. O cérebro dependente continua com as mesmas alterações neurológicas e o mesmo padrão compulsivo de busca por substâncias.
Muitos dependentes de crack ou cocaína passam a beber excessivamente quando param de usar a droga principal. Isso é frequentemente visto como “melhora”, mas representa uma troca de dependências que traz outros danos — e frequentemente leva de volta à droga original.
Estratégias baseadas em evidências incluem: psicoterapia, grupos de apoio (NA, AA), medicamentos específicos para redução de fissura e tratamento de transtornos subjacentes como depressão e ansiedade.
O Hospital Santa Mônica desenvolve planos de tratamento completos e individualizados, sem atalhos que comprometam a recuperação real.

A pessoa dependente precisa “bater no fundo do poço” para buscar tratamento?

NÃO — não é preciso “bater no fundo do poço” para buscar tratamento.
Esse é um mito perigoso. Esperar o “fundo do poço” significa esperar a perda de tudo — emprego, família, saúde, moradia — antes de agir. Para muitos, esse momento chega tarde demais.
Intervenção precoce tem melhores resultados. Quanto antes a pessoa recebe ajuda, menor o dano físico, emocional, familiar e social acumulado. O tratamento funciona em qualquer estágio da dependência.
É verdade que a motivação do paciente melhora os resultados — mas motivação pode ser construída durante o tratamento, não é pré-requisito para começar. Muitas pessoas entram no tratamento ambivalentes e desenvolvem motivação ao longo do processo.
Se você reconhece que alguém (ou você mesmo) tem um problema com substâncias, não espere. O Hospital Santa Mônica acolhe em qualquer estágio da dependência.

Cocaína causa dependência mesmo sem uso diário?

SIM — cocaína pode causar dependência mesmo com uso irregular.
Sim. A dependência de cocaína não requer uso diário. Por ser uma substância com efeito estimulante intenso e duração relativamente curta, a cocaína cria padrões de uso em “binge” (uso compulsivo em períodos curtos) que rapidamente evoluem para dependência.
O usuário que usa nos fins de semana pode progressivamente aumentar a frequência sem perceber. A fissura (desejo compulsivo) pode surgir mesmo dias depois do último uso, especialmente diante de situações associadas ao consumo.
A cocaína também causa sérios riscos cardiovasculares a cada uso: arritmias, infarto e AVC podem ocorrer na primeira vez ou após anos de uso. Não existe “nível seguro” de uso de cocaína.
Se o uso de cocaína, mesmo que esporádico, já está causando preocupação, procure avaliação no Hospital Santa Mônica. Identificar o problema cedo protege saúde e vida.

Existe tratamento medicamentoso eficaz para dependência química?

SIM — existem medicamentos eficazes que auxiliam no tratamento da dependência.
Sim. Para algumas substâncias, há medicamentos com eficácia comprovada que reduzem a fissura, diminuem o prazer associado ao uso e/ou tratam a abstinência com mais segurança.
Para alcoolismo: naltrexona, acamprosato e dissulfiram são aprovados e utilizados. Para opioides: buprenorfina e metadona são padrão-ouro internacionalmente. Para nicotina: vareniclina e bupropiona têm boa evidência.
Para cocaína e crack ainda não há medicamento aprovado especificamente, mas medicações adjuvantes para tratar depressão, ansiedade e fissura são usadas com benefício.
A medicação isolada raramente é suficiente — ela é mais eficaz quando combinada com psicoterapia e suporte social. O Hospital Santa Mônica oferece avaliação médica completa para definir o melhor protocolo.

Jovens que experimentam drogas na adolescência têm maior risco de desenvolver dependência?

SIM — início precoce do uso de drogas é um dos maiores fatores de risco para dependência.
Sim, e a ciência é clara nesse ponto. Iniciar o uso de drogas ou álcool antes dos 15 anos aumenta o risco de dependência em até 4 vezes comparado a quem começa depois dos 21 anos.
O motivo é biológico: o cérebro adolescente ainda está em desenvolvimento — especialmente o córtex pré-frontal, responsável pelo autocontrole e avaliação de riscos, que só termina de amadurecer por volta dos 25 anos. Substâncias interferem diretamente nesse desenvolvimento.
Além do risco de dependência, o uso precoce está associado a pior desempenho escolar, maior risco de acidentes, maior exposição a violência e alterações permanentes no desenvolvimento cerebral.
Prevenção na adolescência é investimento em saúde ao longo de toda a vida. O Hospital Santa Mônica oferece programas educativos e atendimento especializado para jovens e suas famílias.

Dependência Química e transtornos mentais podem ocorrer simultaneamente (comorbidade)?

SIM — comorbidade entre dependência química e transtornos mentais é muito comum.
Muito comum. Estudos mostram que mais da metade dos dependentes químicos têm pelo menos um transtorno mental associado — depressão, ansiedade, TEPT, bipolar e TDAH são os mais frequentes.
A relação pode ser bidirecional: o transtorno mental pode levar ao uso de substâncias como forma de automedicação; e o uso de substâncias pode desencadear ou agravar transtornos mentais. Em muitos casos, é difícil determinar o que veio primeiro.
Tratar apenas a dependência sem tratar o transtorno mental associado reduz muito a eficácia do tratamento e aumenta o risco de recaída. O tratamento integrado — que cuida dos dois problemas simultaneamente — tem melhores resultados.
O Hospital Santa Mônica tem equipe especializada em diagnóstico dual e oferece tratamento integrado de dependência química e saúde mental.

Quem parou de usar drogas sozinho, sem tratamento, está curado?

NÃO — parar de usar sozinho não equivale a estar curado da dependência.
Parar de usar drogas é um passo enorme e merece reconhecimento. Mas a dependência é uma doença crônica — parar de usar é o começo, não o fim do processo de recuperação.
Sem tratamento das causas subjacentes (trauma, depressão, ansiedade, padrões de pensamento e comportamento), o risco de recaída permanece alto. O cérebro que desenvolveu dependência mantém memórias e gatilhos que podem ativá-la anos depois.
Recuperação envolve não apenas abstinência, mas reconstrução de vida: vínculos saudáveis, propósito, habilidades de enfrentamento do estresse, tratamento de comorbidades e suporte social contínuo.
Se você parou de usar sozinho, parabéns — mas apoio profissional pode fazer sua recuperação muito mais sólida e duradoura. O Hospital Santa Mônica oferece acompanhamento para quem está em recuperação.

O tabagismo (dependência de nicotina) é considerado uma dependência química?

SIM — tabagismo é uma dependência química reconhecida e tratável.
Sim. A nicotina é uma substância altamente aditiva — o tabagismo é classificado como transtorno por uso de substância pelo DSM-5 e CID-11. A dependência da nicotina é tão real quanto a do álcool ou cocaína.
A nicotina age no mesmo sistema de recompensa dopaminérgico que outras drogas. A síndrome de abstinência inclui irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, aumento de apetite e fissura intensa — o que explica a dificuldade de parar sem ajuda.
O tabagismo mata mais de 150 mil brasileiros por ano. Parar de fumar é uma das melhores decisões de saúde que alguém pode tomar — e nunca é tarde.
Tratamento com terapia cognitivo-comportamental, reposição de nicotina e medicamentos como vareniclina tem alta taxa de sucesso. O Hospital Santa Mônica pode apoiar quem quer parar de fumar.

Fale com o Hospital Santa Mônica

O Hospital Santa Mônica oferece todos os recursos da psiquiatria moderna aliada a uma equipe multidisciplinar preparada para tratar pacientes e promover o bem-estar. Somos o primeiro hospital psiquiátrico privado de São Paulo com Certificação ONA 3 – Acreditado com Excelência Ouro – que atesta os padrões da qualidade assistencial, a segurança do paciente e a excelência em gestão.

Terapias e atividades que complementam o tratamento psiquiátrico hospitalar

Terapia em grupo

Atuação de psicólogos e um grupo pacientes para trabalhar questões que envolvem a depressão, crise de ansiedade, transtorno do pânico, dependência de substâncias, dentre outras questões.

Hidroginástica

Supervisionada pela equipe de fisioterapeutas utiliza as propriedades da água como complemento das terapias convencionais. Os exercícios físicos são indicados como auxílio no tratamento de doenças mentais.

Alongamento e Yoga

Eficaz ao combinar exercícios de fisioterapia, específicos no tratamento de dores, em idosos e pessoas com déficits neurológicos como os causados por derrames.

Musicoterapia

Utiliza a música e os instrumentos musicais para reabilitação da saúde mental e física. Promove o relaxamento, melhora a comunicação, auxilia na expressão e integra os pensamentos, sentidos e emoções.

Dançaterapia

Atividade terapêutica muito utilizada para a reabilitação de pacientes. Explora, com bastante habilidade técnica, o uso da dança e a execução de movimentos como complemento das intervenções clínicas.

Terapia com cães

A terapia com cães têm sido amplamente utilizada como ponto de apoio emocional para melhorar a saúde e o bem-estar de pacientes, sobretudo de indivíduos que têm constantes crises depressivas ou de ansiedade.

Futebol, vôlei e basquete

Esportes beneficiam a mente e agem no cérebro das pessoas. Melhora o humor, aumenta a concentração, reduz o estresse e a depressão, melhora o sono, desenvolve a auto-confiança e liderança.

Pintura e artesanato

A pintura e artesanato potencializam e valorizam as formas singulares do processo de livre criação, elevação da autoestima, melhora do equilíbrio emocional e minimização dos efeitos negativos da doença mental.

Espiritualidade e emoções

A espiritualidade e controle emocional pode reduzir o estresse psicológico que provoca dor. Gera esperança, otimismo e resiliência. Pode ser grande aliada na manutenção da saúde mental e emocional.

Leitura

A pratica da leitura pode gerar benefícios cognitivos entre aqueles que mantém o hábito de ler regularmente. Ajuda a entender melhor o sentimento e emoções de outras pessoas e também melhora a capacidade de mudança no dia a dia.

Grupo de apoio familiar

Espaço onde os familiares de pacientes podem se reunir para compartilhar suas experiências de uma maneira que ajude a reduzir o isolamento e a solidão. Tem como objetivo esclarecer dúvidas sobre transtornos mentais.

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