• 05 OUT 17
    Sinais de alerta de suicídio na adolescência – Como identificar?

    Sinais de alerta de suicídio na adolescência – Como identificar?

    Sinais de alerta de suicídio na adolescência – Como identificar?

     

    Suicídio em adolescentes é um problema real e muito grave, sendo a quarta principal causa de mortalidade desta população, na faixa etária entre 15 a 29 anos, segundo a OMS.

    Em um estudo recente feito na Dinamarca constatou-se que 46,5% dos adolescentes que tentam o suicídio realmente querem morrer, e que apenas 2,5% querem “chamar a atenção“, desconstruindo o conceito de que os adolescentes usam a tentativa de suicídio apenas para atrair a atenção para si. Este mesmo estudo também demonstrou que 50% dos adolescentes apresentam ideação suicida por mais de um mês e que muitos destes jovens não se sentiam ouvidos pelos seus pais e este seria o principal motivo para tirar suas vidas.

    Falar sobre ideação suicida, tentativa ou mesmo sobre suicídio é uma questão bastante difícil para todos os familiares, mas geralmente isso se reflete de maneira muito mais grave nos pais do adolescente, que muitas vezes se sentem culpados e não sabem como lidar com a situação que o problema traz ao ambiente familiar. Neste momento de angústia e culpa é dever dos profissionais da saúde abrir espaço para o diálogo e tentar acolher os pais da forma mais empática, tratando o assunto da maneira mais cuidadosa e profissional possível, evitando julgamentos.

    Um estudo de 2014 mostra que adolescentes tiram sua vida com métodos bastante agressivos, como enforcamento e o uso de arma de fogo. Outro dado relevante sugere que os meninos cometem mais suicídio enquanto as meninas fazem mais tentativas.

    Um fator de risco bem estabelecido é a relação do suicídio com doenças mentais. Estudos apontam que 75% dos adolescentes que se suicidaram tinham algum tipo de transtorno mental, principalmente os transtornos afetivos, como depressão e transtorno bipolar. Dependência de múltiplas drogas incluindo álcool, maconha e tabaco estão associados a um aumento do risco de tentativas de suicídio em adolescentes.

    Também é importante ressaltar que na população de adolescentes gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros o índice de suicídio tem aumentado nos últimos anos. Em muitos casos estes adolescentes convivem com algumas angústias particulares como a descoberta e o entendimento de sua sexualidade ou identidade de gênero, além de muitas vezes ter que conviver com o preconceito e a dificuldade da família em ajudá-los.

    Outro indício de extrema importância que deve servir de alerta são os casos de automutilação em adolescentes. Alguns dados mostram que em média 70% dos adolescentes que se automutilam acabam tendo ao menos uma tentativa de suicídio. Pode-se considerar automutilação o ato de ser ferir sem o intuito de morrer, como cortes no corpo, beliscar-se, morder-se, queimar-se ou mesmo pular de lugares altos com o propósito de causar fraturas. Relatos de adolescentes revelam que a automutilação alivia seu sofrimento psíquico, além de ser uma maneira de lidar com pensamentos negativos ou até mesmo de expressá-los.  Deve-se levar em consideração que a grande maioria dos adolescentes escondem as marcas da automutilação, muitas vezes usando roupas de manga longa ou calças compridas, mesmo em dias quentes. Desta forma é importante salientar o quanto o exame físico é importante nestes pacientes.

     

    Para facilitar a identificação, algumas questões devem ser levantadas como:

     

    1. Tentativas prévias de suicídio;
    2. Alterações no humor, ansiedade e agitação;
    3. Maior irritabilidade sem justificativa aparente;
    4. Começar a falar em suicídio/morte;
    5. Mudar o padrão de higiene;
    6. Abuso de álcool e outras drogas;
    7. Automutilação;
    8. Isolamento de familiares e amigos;
    9. Ter atitudes mais violentas;
    10. Comentários com conteúdo de desesperança;
    11. Pesquisar sobre métodos de suicídio;
    12. Conflitos com relação a identidade sexual.

     

    A adolescência é um período de transição difícil tanto para os adolescentes quanto para os pais e familiares, por isso devemos estar atentos a falsos julgamentos e achar que alterações de humor ou automutilação são situações comuns nesta fase da vida. É nosso dever como profissionais da saúde entender as mensagens e os indícios trazidos por adolescentes, maximizando assim o nosso poder de ajuda, e reduzindo o número de mortes entre os adolescentes.

     

    Fonte: Mediscape

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